Com o tema: Morte
Avatar Popovic: Boa noite pessoal! Estamos aqui com ilustres pensadores da minha estante! Com exceção de Raul seixas, convidado especial dessa noite. O tema de hoje é “Os mortos também pensam!”. Sintam-se a vontade! Temos uísque e cigarros.
Raul S: Bua noite! Aquii estamos por vós esperamos...entaum bebam e fumim a vontadii...façam o que façu, não façum o que digo...mas eu digu: o céu é um infernu!!! .........Olha sóoo.....um barbudooo!!! (olhando para Nietzsche )
Nietzsche: O céu só existe quando se olha pra cima.
Freud: Por gentileza, por acaso teriam charutos disponíveis¿ Lembrando que um charuto....
Guatarri: ...É sempre um charuto.....ou não!!! Esse é grande mistério da vida....
Foucault: E as pessoas se preocupam tanto com o mistério da morte.
Raul S: Poiisss to dizendo; por isso fui convidaduu...eu que mais aprovetei a vida aqui.
Avatar Popovic: Mas as pessoas devem se perguntar como cada um de vocês percebem a morte. Seria então a morte o grande mistério da vida¿
Guatarri: Mas será que a vida não teria que ter um mistério não solucionável, a vida se faz a partir da finitude do próprio sujeito e cada um deveria poder imaginá-la como quisesse, não a partir de preceitos religiosos massificantes de subjetividades. Pensam por nós, organizam por nós a produção e a vida social. Além disso, consideram que tudo o que tem a ver como coisas extraordinárias - por exemplo, o fato de falar e viver, o fato de ter que envelhecer, de ter que morrer.
Foucalt: Olha não existe a verdade sobre a morte, existe a vontade de saber. Eu sempre defendi a idéia de que as pessoas deveriam ter o direito a viver ou a morrer. Eu já pensei que pessoas que pensam em suicídio deveriam ter o direito a refletir sobre esta questão num lugar adequado em que elas pudessem pensar e decidir sobre o direito a morte sem interrupções. Existe uma visão da morte e ela vem a partir de uma configuração histórica que não seria o momento a explanar. Mas eu sempre tive uma visão mais tranqüila acerca do morrer. Certa vez usei Ópio e tive um prazer muito intenso. Era uma pessoa feliz mas sempre imaginei que queria um prazer mais imenso do que já tive na vida. E essa intensidade parece que só existe ao morrer. Quando quase fui atropelado ao usar ópio tive o prazer mais imenso da vida. O prazer de nada ser.
Freud: Eu poderia falar agora sobre a pulsão de morte mas vocês me achariam um tanto inadequado pois com execessão do senhor Seixas todos conhecem meu trabalho. O que me chama atenção é que ninguém crê em sua própria morte. Inconscientemente, estamos convencidos de nossa própria imortalidade. Mas se quiser poder suportar a vida, fique pronto para aceitá-la.
Avatar Popovic: Mas parece algo cada vez mais difícil aceitar a finitude. Aceitar a finitude de cada célula que morre, da pele que vai murchando, das coisas que já vivemos ou pior; das que nunca viveremos ou seremos. Enfim, um pavor tremendo da morte.
Freud: Isso se chama Tanatofobia.....
Guatarri: É preciso então falar da morte abertamente para reagir ao processo contemporâneo da infantilização, que tornam as pessoas incapazes de lidar com as situações-limites de sua própria vida. Eu passei por um estado de tristeza profunda durante os anos que seguiram a morte de minha mãe, à separação de meu casamento. Me envolvi com uma mulher chamada Josephine com quem casei. Ela fez eu abandonar meus amigos, minha família; eu perdi muitos bens. Em alguns momentos achava que essa mulher estava me tirando tudo mas na verdade me servi de Josephine para me autodestruir. Mas não é a toa que pela esquizoanálise veio a noção do Devir. Porque de alguma forma consegui ser outro. Me separei, retomei minha vida, me sentia feliz novamente antes de morrer. Quando eu consegui ser outro de mim mesmo eu morri. Estamos a cada dia morrendo e nascendo.
Raul S: Aíiiii...então vou me matar de novo bebendo todassss......quer papoumaiss chatôô pra um morto que falar sobre morte. Si os vivus gostam de ver a morte de perto, falar com ela di cantinhu o que os dezincarnados querrem fazer¿ hã ¿ hã¿ (e bebe)
Freud: Infelizmente eu vou ter que concordar em partes com esse senhor. O momento anterior de morrer para mim foi dolorido. O câncer se expandiu e tive que usar um maxilar mecânico. O que me proporcionava certo alívio eram meus charutos, os cães e a escrita. Não queria saber de reconhecimento. Geralmente ele se dá depois da morte. Não queria ser reconhecido depois da morte, queria o bem dos meus filhos, da minha esposa, apenas isto. O divã então me serviu para repousar e me recuperar das dores lancinantes.
Raul S: Moral da historia: viva cara!!!!! Só falta agora cada um falar do que morreu.
Avatar Popovic: Se quiserem....
Guatarri: E isso importa¿ Importa o Fim ou o Processo¿
Avatar ( agora num surto de Márcia Goldschmidt pós uísque): Soube Foucault que morreu de AIDS e houve boatos de que não queria assumir a sua doença. Também era casado há 20 anos com o mesmo companheiro. Por acaso você quis esconder a doença para não sofrer recriminações acerca da sua sexualidade¿
Foucault: Eu quis esconder para curtir meu companheiro, para poder escrever. Nunca me importei com que os outros pensam, alias sei que pensam que falo “pérolas” nas entrevistas que dei, que escrevo absurdos. Não escrevo para os outros; escrevo para minha própria liberdade. Eu me afastei para ter o direito de morrer em paz.
Avatar: E para você Nietzsche, eu soube que você morreu de sífilis, sendo que muitos dizem que você era virgem.
Freud: Eu to começando a achar essa entrevista um tanto sem propósito e invasiva. Por acaso está fazendo menção à sexualidade do senho Nietzsche¿
Raul S: Eu xá fui entrevistado por Xô Soares, Chácrinha, Maria Gabriela, até Pedro Bial mas realmente esse papo tá ficando bem interessante.
Nietzsche: Não foi sífilis!!! Foi câncer no cérebro.
Avatar : Então você morreu virgem¿
Nietzsche com uma raiva nazista enrustida: Scheiße !!!!!!Arschloch !!!!!!!!!!!!!!!Nutter Sohn!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Os convidados começam a se retirar.
Guatarri: Mocinha, faça um favor...não nos chame mais pra isso, para essa conversa vazia.
Foucalt: ou puxaremos o seu pé.
Freud: Leia bem nossos livros da próxima vez.
(Silêncio)
Raul Seixas depois de muito Wisque: Bom pessuaaal...é axim...... terminamôss nossa entrevisstá com meu fígado preto, dois pênis que não sabemos a sua prossedência, um queixu de metal, um coração derretido...e tu?
Avatar: Hã, como vou saber não morri ainda...aíi eu não quero falar sobre isso!!
Raul Seixas: olhiá sóóó!!! Ela tem...como é mesmo¿ Taradofobiaaa
Avatar: Tanatofobia ô barbudo.
Raul: Peluu menos minha barba é mais malucuu belezaa do que daquele gay virgem. Raulseichismuuu!!!!!!!!
Avatar: Aí meu deuss...
Raul S: Entaum vou fexar aqui gente....Seguinte pessuall...O que a gente aprendeu hoje é:Nessssa vida, façaa sécho mas vê onde infia seu cháruto , faaça a barba direitu e beber e fumar é ainda o melhor reméedio pra viverr a vidaa porque aqui todo mundo bebeeue e fumouuuu ..... não fui só eu nãoo tá....
Avatar: Bom, tu podia me contar então sobre o que acontece afinal de contas sobre a questão mais clichê: Como é após a morte¿...
Raul S: Tchem maisss Uísque¿