sábado, 25 de dezembro de 2010

Micos 2010 de uma King Kong.

@ Comentar na frente de uma pessoa de 100 kilos que precisa emagrecer 10 de seus 68 kilos.

$  Dinheiro. Esbanja verbalmente o que tem na frente de quem não tem e mendiga para os bem dotados monetariamente.

! Falar alto demais.Ainda se utiliza da descendência italiana como desculpa. E com sua pele escura continua gritando.

& Olhar pro prato de outra pessoa porque a comida do outro é sempre apetitosa do que a sua. Se estiver com um amigo olha como um cachorro que anseia pelo osso, na esperança de que lhe seja oferecido um pedaço.

¨.....Se justificar ao comprar algo para o vendedor. Na farmácia, na loja de roupas, no mercadinho. Justificando a compra e de quebra pedindo um desconto. Com desconto, desconta no outro o seu péssimo dia. relata com detalhes que caiu na frente do trabalho que a deixou com duas cicatrizes no joelho que não saem. Não sabe se teria uma pomada que clareasse realmente essas marcas mas.....

# Beber demais e começar a chorar. Se lembra da música: "Êta mulher chorona, chora mais que uma sanfona. Arruma as mala e diz que vai embora. Depois de se arrepende e chora. Chora de saudade, chora de paixão....

( Vestir um chapéu de praia em dias nublados com o vento quente  do ônibus metropolitano.

) Falando em ônibus, este meio de transporte é o único dispositivo com que faça que todas suas concepções éticas sejam anuladas. Tirando a velhinha e o portador de deficiência, empurra, fura fila, compete com aquele que abre demais as pernas no banco, num ritual de espremeção. Se o sujeito do banco de trás põem a mão no seu banco para se segurar, perto de sua nuca, olha para trás com cara feia. Como uma Antisocial, quase Anticristo.

*Ir na casa das amigas e querer o melhor colchão e travesseiro. Não precisa mais nem pedir. Essa já vem de 2004.

+ Esquecer o que não se pode esquecer e lembrar do que ninguem mais lembra. Observadora distraída como costumam chamar. Valeu uma demissão. Azar o deles. Vão todos lembrar das mesmas coisas esquecendo do restante.

_ Falar com bebê de 7 meses sobre política e sexualidade. Divagar  sobre a vida e planejar seu futuro como "titia loca". Um dos planos seria daqui há 6 anos movimentar o menino e mais uns amiguinhos em frente ao zoológico munidos com cartazes contra as condições ambientais do local para com os animais. O bebê começa a chorar...

Para alguém que não conheci. Ou conheci? (escrita no ano de 1999)

Clichês em frases encapadas de repetições 
Generalizações passadas de traumas para novas tentativas
Das desistências insistidas para te encontrar


Entorpeço-me de alegria
Sigo de Harém a estradas rodadas


Mudo rostos
Busco nomes
Coloco-te nos meus pronomes

Fênix

Para quem beijou as cinzas. Para quem abriu a porteira que segura o cão com suas cabeças, para quem sentiu a mesma dor lascinante de um dente podre. Essa é pra você. Porque haverá, depois de uma eternidade, num mundo obscuro que é só seu, um resgate. Pode ser por um simples olhar de quem entende que secretamente existe um desejo de continuar nas sombras, acima de todas torturas auto infligidas, de todos latejos . Pelo simples fato de que ali, existe mais verdade, pois ali se encontram morte e vida.Indissociáveis. No entanto todos tapam seus olhos às duas irmãs siamesas tão singelas. Pode ser, que um dia encontre pessoas sorridentes lhe susurrando os segredos do mundo negro em que vive, então percebe que não está sozinho. Neste momento talvez vá dormir diferente. Dormiria menos pesado, menos solitário. Acordaria sentindo que parecer feliz seria a semelhança com todos os outros e não mais a ferida aberta neste mundo de clichês e generalizações. Mas agora sente afago e alento, já que no fundo  todos beijam uma vez ou outra as cinzas de fotos, dos objetos queimados  que se encontra nas caixas lacradas.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Retorno de Saturno

Mais uma vez toma o seu chá, agora acompanhado de um líquido doce que a levará a relaxar. Olhará para as velhas figuras fosforescentes que se sobresaem na escuridão e dormirá neurologicamente modificada. Já teve o direito de sentir medo do escuro, já teve o direito de sentir medo do amanhã mas ninguém lhe disse: pode gritar, pode chorar, você é uma criança! Então agora como há muitos anos, ainda se tapa dos pés a cabeça. Tapando-se em todas arestas, em todos os filmes de terror, todos os medos, apagando a lanterna do seus devaneios até que....




O coração para! Por um segundo chegou sua hora. Sente a dor no peito. Sabe que quando se tem um ataque cardíaco a dor sobe pelo braço direito como uma sanguessuga mas se for derrame cerebral a cabeça explodirá, derretida pelo próprio sangue.


Sente a dor no peito. Está tudo acabado. Por uns segundos. Imagina quando que irá morrer. Será assim¿ De uma hora para outra¿ Odeia o fato de não saber. Ela é uma mulher que quer ter controle das coisas. Por isso odeia andar de avião. E se o avião cair¿ Não existe super-homem, pára-quedas....Lost! Não suporta também a idéia de que ninguém sabe se prevalece o Destino ou a livre escolha Niilista. Assim, num surto de solidão, desespero com leves pitadas de paranóia optou pela ajuda dos profissionais e alguns comprimidos ao invés do pai de santo e das ciganas rastejantes que avista ao longe ao andar pelo Mercado Público. Por isso sempre passa correndo pelo outro lado da rua. Acredita que o único preconceito que restou foi contra as ciganas. Não se tem o controle sobre as ciganas. “Ladras, mentirosas”, ela pensa.


Não se tem o controle sobre a Morte. Todas as noites quando o coração para, ela parece encostar no seu minguinho, entre o momento do nada ser, entre a luz e a escuridão. Já pensou, em seu surto de tristeza que talvez fosse melhor assumir o controle das coisas de uma vez por todas e encontrá-la. Mas não suporta não ter o controle sobre seu próprio funeral. Precisa garantir que irá ser cremada com a música perfeita tocando ao fundo (ainda não achou a música certa para a ocasião) e algumas doses de tequila para os convidados. Tequila combina com fogo.


E existem tantas outras coisas das quais não faz a mínima idéia. Uma das principais é sobre o amor, infeliz clichê. Se deveria ter controle sobre os clichês, aqueles das novelas que seus pais assistem todas as noites. As pessoas mais velhas tem lhe perguntado: “E então. já casou¿”. E as mais novas perguntam se ela decidiu de fato se quer homens ou mulheres. Algumas amigas que estão na “seca” dizem: “É uma dádiva você ter o dobro de possibilidades de encontrar alguém!”. Outras desabafam: “Eu sinto que nunca vou casar.” . “Não vai¿¿” . A balzaquiana pergunta. “Não, só me juntar.” Achava que era quase a mesma coisa.


Desde os 06 anos de idade a balzaquiana, como ela mesmo tem se denominado, não por já ter 30 anos mas porque ela quer fingir que já assume o controle do que virá, sempre sentiu, embaixo das cobertas, antes de dormir, que nunca iria casar. Nem casar, nem se amasiar, nem mesmo ser custeada pelo amante barrigudo. A única duvida que resta é se a menina pensava que nunca iria casar ou nunca iria querer casar.




Mas não quer que alguém lhe diga quais sonhos irá ou não realizar. É perder o controle da esperança, ou da ilusão. Já existem sonhos demais guardados um a um nas caixas que depositou na garagem. Os sonhos que sobraram agora estão no meio do script (Nascer- viver- morrer). Nada que saia dessa rota fabricada, nada que ultrapasse a linha do horizonte. Parecem velhas moedas recebidas pelas ciganas comparado as moedas de ouro que suas ancestrais recebiam com o fervor de suas previsões.

Ela tem pensado nisso quase todos os dias. Na vida, na vida sem controle. E olha no que ela se meteu: trabalhar com a vida humana. Poderia ter escolhido computadores, televisores, casas, empresas, vida animal, até aviões. Mas não, ela escolheu trabalhar com a vida humana. Talvez como as ciganas.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Estava lendo um livro. Trezentas páginas se transformaram no mesmo espaço de  tempo ao se colocar a bunda num formigueiro. "Um minuto parece uma hora", disse Einstein. Sofrimento e prazer no trabalho, este era o subtítulo. O título? Nem queiram saber. Mas saibam que segundo Dejours todos nós estamos falidos a ter uma carga de sofrimento no trabalho nem que seja mínima. E a arte (e a sorte) é poder  transformar o que inquieta no mais interessante prazer. E o trabalho, indispensável a vida humana adulta é a nossa chance da realização de si mesmo, no fortalecimento das bases identitárias. Pelo trabalho nos apropriamos da vida social, resignificamos o passado vivido dentro de casa e a todo momento buscamos o reconhecimento, pela abertura à autonomia, à criatividade. Mas para isso acontecer dependeria do julgamento do seu trabalho, tanto pelos sistemas de hierarquia, como pelo coletivo dos seus colegas, do cliente ou  da pessoa atendida. Reconhecimento. Todos sabem que não é fácil. Poderia-se então  quem sabe viver só de amor, viver de sexo caso ganhasse na loteria. Não tentem isso, o referido autor afirmou que não funciona. E nosso amigo Freud já disse o óbvio: Não basta estar envolvido só com um aspecto intersubjetivo nessa vida.
Pois eu tenho uma teoria mais interessante. Machado, disse, enquanto fazia minhas trancinhas, que por causa de Eva; aquela do Adão, o ser humano foi castigado com a dureza e a indispensabilidade do Labor. Tudo por causa de uma maçã. Será  que o castigo seria dirigido às mulheres? Porque afinal de contas para o homem poder ir trabalhar a mulher por centenas de anos era obrigada a se restringir a vida doméstica.( e ainda não é considerado como trabalho, no sentido estrito do termo). Ou o castigo era dos homens? Se você pudesse optar, trabalharia?
 É impressionante como a teoria de mãe -anos 80- ex católica, agora nesse momento parece ter maior força simbólica do que de todos outros autores. Porque o trabalho sob meu prismas foi tão castigante, chegando ao ponto em que me arrisco a uma fábula dramática mas nem por isso mesma menos fidedigna:


"Numa senzala muitos negros conseguiram fugir após chibatadas semanais, que eram impostas sem que nem mesmo pudessem entender a dor que era infligida constantemente. As lágrimas não derramadas pela humilhação doíam, mas o que latejava não era estar no tronco, era saber que a qualquer momento daquela semana os próprios pés iriam levá-los até lá. Estes pés não deixavam pegadas, pois atrás dos escravos botinas velhas marcavam o território e um cuspe no chão precedia o vôo do chicote. Muitos escravos conseguiram fugir. O escravo com maior número de cicatrizes teve a mesma oportunidade que lhe escapou por covardia. Mas o mais triste para ele era as outras oportunidades que lhe escaparam. Até hoje não sabe se é fruto de sua imaginação . Mas pareciam tão reais, tão vivas. Correndo pela grama,alcançando o infinito para nunca mais voltar.
Ficou. Brincando de saci, pra parar de latejar, de pernas pro ar . Sonhando ficou, abraçado no tronco até anestesiar, até que não mais ouviu o cuspe e o vento a assoviar."


Gostaria aqui de sair do meu íntimo, do meu narcisismo que sempre vigora e poder falar sobre o quanto o trabalho as vezes se restringe a forma de subsistência, descarecterizado totalmente de uma possibilidade de produção de subjetividade. Qual é o fator de reconhecimento que alguém trabalhando numa cooperativa de recolhimento de lixo ganha? Sem carteira assinada, sem o direito a afastamento por doença, sem possibilidade de singularização do seu fazer. E aqueles trabalhadores informais, que reciclam o lixo que nós produzimos e ainda são vistos praticamente misturados ao material que carregam pois só ocupam asfalto. E aqueles que tem duas especializações e recebem um salário razoavelmente bom, com carteira assinada e durante um ano e meio não sentem-se um dia, um dia a vontade para desempenharem seu trabalho com criatividade, com autonomia, enfim todos termos ditos por Dejours e  reeditados?


O salário é importante e se é. Mas ainda vejo que existem escravos contando trocados no tronco.


E é nesse sofrimento que me levanto e enxergo distante. Livre......

domingo, 10 de outubro de 2010

CONVERSAS CRUZADAS NAS ESTANTE

Com o tema: Morte






Avatar Popovic: Boa noite pessoal! Estamos aqui com ilustres pensadores da minha estante! Com exceção de Raul seixas, convidado especial dessa noite. O tema de hoje é “Os mortos também pensam!”. Sintam-se a vontade! Temos uísque e cigarros.

Raul S: Bua noite! Aquii estamos por vós esperamos...entaum bebam e fumim a vontadii...façam o que façu, não façum o que digo...mas eu digu: o céu é um infernu!!! .........Olha sóoo.....um barbudooo!!! (olhando para Nietzsche )

Nietzsche: O céu só existe quando se olha pra cima.

Freud: Por gentileza, por acaso teriam charutos disponíveis¿ Lembrando que um charuto....

Guatarri: ...É sempre um charuto.....ou não!!! Esse é grande mistério da vida....

Foucault: E as pessoas se preocupam tanto com o mistério da morte.

Raul S: Poiisss to dizendo; por isso fui convidaduu...eu que mais aprovetei a vida aqui.

Avatar Popovic: Mas as pessoas devem se perguntar como cada um de vocês percebem a morte. Seria então a morte o grande mistério da vida¿

Guatarri: Mas será que a vida não teria que ter um mistério não solucionável, a vida se faz a partir da finitude do próprio sujeito e cada um deveria poder imaginá-la como quisesse, não a partir de preceitos religiosos massificantes de subjetividades. Pensam por nós, organizam por nós a produção e a vida social. Além disso, consideram que tudo o que tem a ver como coisas extraordinárias - por exemplo, o fato de falar e viver, o fato de ter que envelhecer, de ter que morrer.

Foucalt: Olha não existe a verdade sobre a morte, existe a vontade de saber. Eu sempre defendi a idéia de que as pessoas deveriam ter o direito a viver ou a morrer. Eu já pensei que pessoas que pensam em suicídio deveriam ter o direito a refletir sobre esta questão num lugar adequado em que elas pudessem pensar e decidir sobre o direito a morte sem interrupções. Existe uma visão da morte e ela vem a partir de uma configuração histórica que não seria o momento a explanar. Mas eu sempre tive uma visão mais tranqüila acerca do morrer. Certa vez usei Ópio e tive um prazer muito intenso. Era uma pessoa feliz mas sempre imaginei que queria um prazer mais imenso do que já tive na vida. E essa intensidade parece que só existe ao morrer. Quando quase fui atropelado ao usar ópio tive o prazer mais imenso da vida. O prazer de nada ser.

Freud: Eu poderia falar agora sobre a pulsão de morte mas vocês me achariam um tanto inadequado pois com execessão do senhor Seixas todos conhecem meu trabalho. O que me chama atenção é que ninguém crê em sua própria morte. Inconscientemente, estamos convencidos de nossa própria imortalidade. Mas se quiser poder suportar a vida, fique pronto para aceitá-la.

Avatar Popovic: Mas parece algo cada vez mais difícil aceitar a finitude. Aceitar a finitude de cada célula que morre, da pele que vai murchando, das coisas que já vivemos ou pior; das que nunca viveremos ou seremos. Enfim, um pavor tremendo da morte.

Freud: Isso se chama Tanatofobia.....

Guatarri: É preciso então falar da morte abertamente para reagir ao processo contemporâneo da infantilização, que tornam as pessoas incapazes de lidar com as situações-limites de sua própria vida. Eu passei por um estado de tristeza profunda durante os anos que seguiram a morte de minha mãe, à separação de meu casamento. Me envolvi com uma mulher chamada Josephine com quem casei. Ela fez eu abandonar meus amigos, minha família; eu perdi muitos bens. Em alguns momentos achava que essa mulher estava me tirando tudo mas na verdade me servi de Josephine para me autodestruir. Mas não é a toa que pela esquizoanálise veio a noção do Devir. Porque de alguma forma consegui ser outro. Me separei, retomei minha vida, me sentia feliz novamente antes de morrer. Quando eu consegui ser outro de mim mesmo eu morri. Estamos a cada dia morrendo e nascendo.

Raul S: Aíiiii...então vou me matar de novo bebendo todassss......quer papoumaiss chatôô pra um morto que falar sobre morte. Si os vivus gostam de ver a morte de perto, falar com ela di cantinhu o que os dezincarnados querrem fazer¿ hã ¿ hã¿ (e bebe)

Freud: Infelizmente eu vou ter que concordar em partes com esse senhor. O momento anterior de morrer para mim foi dolorido. O câncer se expandiu e tive que usar um maxilar mecânico. O que me proporcionava certo alívio eram meus charutos, os cães e a escrita. Não queria saber de reconhecimento. Geralmente ele se dá depois da morte. Não queria ser reconhecido depois da morte, queria o bem dos meus filhos, da minha esposa, apenas isto. O divã então me serviu para repousar e me recuperar das dores lancinantes.

Raul S: Moral da historia: viva cara!!!!! Só falta agora cada um falar do que morreu.

Avatar Popovic: Se quiserem....

Guatarri: E isso importa¿ Importa o Fim ou o Processo¿

Avatar ( agora num surto de Márcia Goldschmidt pós uísque): Soube Foucault que morreu de AIDS e houve boatos de que não queria assumir a sua doença. Também era casado há 20 anos com o mesmo companheiro. Por acaso você quis esconder a doença para não sofrer recriminações acerca da sua sexualidade¿

Foucault: Eu quis esconder para curtir meu companheiro, para poder escrever. Nunca me importei com que os outros pensam, alias sei que pensam que falo “pérolas” nas entrevistas que dei, que escrevo absurdos. Não escrevo para os outros; escrevo para minha própria liberdade. Eu me afastei para ter o direito de morrer em paz.

Avatar: E para você Nietzsche, eu soube que você morreu de sífilis, sendo que muitos dizem que você era virgem.

Freud: Eu to começando a achar essa entrevista um tanto sem propósito e invasiva. Por acaso está fazendo menção à sexualidade do senho Nietzsche¿

Raul S: Eu xá fui entrevistado por Xô Soares, Chácrinha, Maria Gabriela, até Pedro Bial mas realmente esse papo tá ficando bem interessante.

Nietzsche: Não foi sífilis!!! Foi câncer no cérebro.

Avatar : Então você morreu virgem¿

Nietzsche com uma raiva nazista enrustida: Scheiße !!!!!!Arschloch !!!!!!!!!!!!!!!Nutter Sohn!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Os convidados começam a se retirar.

Guatarri: Mocinha, faça um favor...não nos chame mais pra isso, para essa conversa vazia.

Foucalt: ou puxaremos o seu pé.

Freud: Leia bem nossos livros da próxima vez.

(Silêncio)

Raul Seixas depois de muito Wisque: Bom pessuaaal...é axim...... terminamôss nossa entrevisstá com meu fígado preto, dois pênis que não sabemos a sua prossedência, um queixu de metal, um coração derretido...e tu?

Avatar: Hã, como vou saber não morri ainda...aíi eu não quero falar sobre isso!!

Raul Seixas: olhiá sóóó!!! Ela tem...como é mesmo¿ Taradofobiaaa

Avatar: Tanatofobia ô barbudo.

Raul: Peluu menos minha barba é mais malucuu belezaa do que daquele gay virgem. Raulseichismuuu!!!!!!!!

Avatar: Aí meu deuss...

Raul S: Entaum vou fexar aqui gente....Seguinte pessuall...O que a gente aprendeu hoje é:Nessssa vida, façaa sécho mas vê onde infia seu cháruto , faaça a barba direitu e beber e fumar é ainda o melhor reméedio pra viverr a vidaa porque aqui todo mundo bebeeue e fumouuuu ..... não fui só eu nãoo tá....

Avatar: Bom, tu podia me contar então sobre o que acontece afinal de contas sobre a questão mais clichê: Como é após a morte¿...

Raul S: Tchem maisss Uísque¿

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A tua carne que te importa não é mesmo. Aquela tez viva, bege rosada; as curvas delineadas por compasso. E a cada passo, um marinheiro ou uma mulher a segurar um lenço branco de despedida esperançosa de seu retorno. Retorno dessa carne. Exposta num açougue, pode cheirar a abacaxi; por vezes cheira a orquídeas mas cheiro de carne na verdade é tudo igual.. Porque o Homem é bicho. Porque mulher também é homem. Homem-bicho, no final o que importa é o coxão de dentro, de fora, maminha, picanha. Costela, vazio. Vazio.......A diferença entre o animal-bixo é a embalagem.  A diferença, é o olhar do bicho, que caça sua presa. Como palhaços pintados num grande circo. Quizeras que fosse sempre de Solei. A carne que te importa não é mesmo¿ Mas tem vergonha de não te atravessares para ver o teu recheio e se lembra do pernil assado que tua mãe fazia em todos natais, sempre iguais. Comprava semi pronto e recheava com muita farofa. Farofa com passas e frutas cristalizadas, nozes. Farofa que trancava na garganta, todos pedaços trancados na goela em mais um natal. Então ela se pergunta que recheio tem sua carne. Por vezes acha que amor não passa de secreções, de cheiro de animal, o coito interrompendo a sua humanidade ardendo em fogo. Amizade não passa de manada, de  colméia. Família não passa de procriação e sobrevivência. Mas muitas leoas para hienas-macho. Se pergunta que recheio tem sua carne. E se lembra de quantas vezes não precisou se questionar a respeito disso. E esta carne exposta não lhe é o suficiente¿ Ao olhar o que havia dentro permita-me ter observado a farofa levemente engordurada pelo cozimento. E carne apodrece. E apodrecendo aos poucos surge em meio a farofa que tranca na goela, as minhocas, os vermes das cores das passas, das nozes e das frutas cristalizadas. Que se remexem por entre suas vísceras e todos os outros órgãos. Mas veja bem; esmiúce as tripas, o baço, o pâncreas, o apêndice. A humanidade está nos miúdos. Logo esses que são os primeiros a virarem carne de segunda ou desmancharem-se sob a terra. E é apenas essa idéia que a impede de algo drástico, quando pensa no recheio. Não suporta a  sua carne apodrecendo, saindo da vitrine. Não lhe tirem essa covardia, nem seus natais por mais secos que possam ser. Não lhes tirem do gancho; seus adereços. Covardia é tudo de humano que possui agora. Covardia e narcisismo.



















quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A ÚLTIMA SEXTA


Desço daquele carro mais uma vez. E não poderia ser sempre igual, eu sempre soube. Mas quem disse que ele era um carro¿ Era uma bolha de sabão, era um filtro dos sonhos, era um santuário, um harém de dois. Ele poderia ser revestido de cortinas cor de rosa mas porque não vermelhas¿ Eu sempre as imaginava, vermelho sangue, não aquele coagulado mas o que corre por entre as veia. Ali, o mundo era o vouyer olhando pelo olho mágico. Mas agora, como nas ultimas vezes eu descia do meio de transporte que não mais ficava no mesmo lugar; me levava por kilometros de anseios me obrigando a olhar pela janela semi aberta, deixando entrar o frio.




Eu tinha que ir para casa e agora eu sabia que um carro é apenas um carro e a casa ainda não era minha. Onde é a casa de um nômade¿ Deve ter um endereço. Rua pedrinhas de brilhantes, número um milhão.



Nada estava igual mesmo sempre sendo o mesmo. O abraço era só o braço e os olhos a distância que percorremos num curto espaço de tempo, da chegada à largada. Eu caminhava pelas pedras, aquelas que antes nem reconhecia suas desigualdades porque quando olhava estava tão longe, sorrindo pra mim mesma. Sim, o mundo antes era um voyer. E todas manhãs de domingo as 10 horas eram assim como as 10 da noite de sábado. \Só que dsta vez eu via o concreto do chão, tão distante do que havia dito a poucos minutos,com as lágrimas lavando minha fé: “Eu gosto de ti pra caralho”. Eu já ouvi essa palavra de outra pessoa e não teria percebido a intensidade dela até dizê-la sem mesmo digeri-la. Não é assim com aquela palavra mundialmente, cotidianamente conhecida, aquela expressão secular de 3 palavras “Eu te amo”. Não, eu não disse “Eu te amo”, é demasiado clichê e séria para ser dita tão espontaneamente. Já “Eu gosto de ti pra caralho” , não é o “gosto” que sai pra fora do peito, da boca e explode no mundo por vezes surdo. È o caralho, palavra suja, deveras proibida escondida por poeira e ácaros invisíveis. Caralho, lembrando que um charuto nem sempre é um charuto.


EU GOSTO DE TI PRA CARALHO, não é todos que dizem. Neste exato segundo no mundo todo poderiam estar 5 milhões de casais dizendo Eu te Amo. Quantos poderiam dizer gosto de ti pra caralho¿ Não é mais que amor, nem menos. È diferente; não faz promessas, não assina contratos secretos e nem mesmo tem intenção. Fica falso se não for sentido antes de pensado e vira gíria cool se for levado a cabo semânticamente.



Eu dei algo ao falar, não sei ao certo o que e fui embora com ele, olhando pra calçada fria e aos poucos reconhecendo a manhã e todas coisas que nem antes enxergava. Trasmutei-me voyer e via os gatos de rua e os vermelhos ao me redor. O banco da praça, a roupa estendida no terceiro andar, uma moto. Com a sobriedade sem tamanho todos vermelhos.



Tudo parecia mais claro, a calçada era uma calçada, o carro um carro, a casa só uma casa, o gato apenas um gato malhado, sem telhados, nem Alices. Então eu me perguntava se alguém já teria visto aquele mundo agora tão exibicionista dando as caras novamente. Teriam os poetas percebido a beleza do que fere, do que mata¿ A beleza da anestesia, a solidão que te estende a mão e te puxa de volta pra tua itinerância. Tudo parece tão claro, a solidão que caminha comigo, meu gêmeo univitelino.



Difícil era abandonar meu cigarro mais um último. Ele sempre foi meu correspondente do que havia a ser contemplando nesse mundo, eu me lembrava do prazer que me causava ao estar só.”Gosto de ti pra caralho”, eu pensava sorrindo entre as grades, no lugar nenhum, que davam para o lado do que se chama rua e o outro que chamam de casa.



Olhei para o cigarro que já havia sido todo sugado por mim, pelos mengigos e poetas, espiando mais um pouco o vermelho. Resolvi, enfim seguir para a esquerda. Mas minha alma, essa canhota, seguiu seu rumo oposto.

sábado, 31 de julho de 2010

Tenho falado bastante sobre Hitler nas minhas férias, aliás tenho escutado bastante sobre ele. Uma das frases que uma amiga minha fez questão de salientar é que este homem fez o que fez após ser um músico frustrado. Um meia boca mas com o dom da perspicácia, da oratória. Aquele que mais fala do que escuta notas sonoras. Um músico frustrado; essa frase ressoou aos meus ouvidos como uma tragédia pelo menos sob meu prisma. E se ele não tivesse desistido¿ E se ele tivesse tentado apesar de todas críticas¿ E se ele aceitasse apenas ser um musico mais ou menos, se contentasse com uma vida pacata e sem grandes conquistas. Mas que esse homem pudesse tocar com a alma, não os corações em massa ao seu bel prazer, mas o seu próprio âmago, o seu próprio mundo; pra dentro. Ele seria feliz assim¿ Talvez não fosse feliz de jeito nenhum. E eu fico pensando nas meias bocas, porque eu nunca estou satisfeita. Penso nas meias calças que escondem as veias e as feridas das caídas alcoolizantes ou distraídas. Penso no meio copo cheio e no meio copo vazio, mas é sempre metade nunca completo. Não me sinto uma grande psicóloga, nem uma ótima filha, nem uma amiga exemplar. Meu QI não passa de 80 e não sei quase nada sobre livros e história, apesar de ainda assim saber mais de filmes comparado a tantas outras pessoas que vão no cinema mais do que eu. Eu sou a música frustrada, amo as músicas frustantes e nostálgicas, apesar de ser muito mais feliz hoje em dia. Sempre gosto das músicas de amor tristes e melancólicas, mas nem por isso vivo uma paixão infeliz. Eu vejo beleza em lágrimas e penso em parar a chuva pra ir pra rua. Mas talvez eu nunca seja espetacular, grandiosa. Um profissional reconhecida, uma mulher menos egoísta. Talvez não há muito a se escrever no jazigo e nem se sabe quem estará lá. Por isso escrevo jazigos em vida matando e morrendo e querendo nascer de mil fragmentos.



Quero ser fotografa



Quero ser atriz



Quero ser pintora



Quero trabalhar com moda



Quero dirigir um filme e escrever um livro



Quero ir pra Europa



Quero fazer as pazes com meus pais



Quero que as minhas amigas atuais sejam as de 10 anos depois.



Quero continuar me sentindo feia em alguns momentos pra poder me achar linda depois.



Queria continuar fumando e morrer por qualquer causa menos pelo fumo.



Quero dormir bastante pra enxergar melhor os detalhes mas dormir pode ser perda de tempo pra quem quer ver de tudo um pouco.



Não quero ser mãe, não quero casar pelo simples fato de que todos fazem isso.



Quero achar um grande amor que faça eu mudar de idéia sobre a idéia anterior sem que me sinta menos eu.











Essas foram minhas férias, com meus fragmentos atirados no chão formando um caleidoscópio. Pouco tempo pra olhar o que ninguém quer ver. Caleidoscópios são vistos como perda de tempo, brincadeira de criança, imagens iguais posicionadas do lado inverso.