segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Amores Natimortos
Dos restos de Champagne, de músicas, de velas, de olhos profundos.Tantos natimortos quanto gatos de rua pelas esquinas. Dói aquilo que não vingou. Não passamos de mendigos, fingindo com as quinquilharias de que nada nos antecedeu, nada nos atingiu. Andamos e andamos. Sentamos no fio da calçada e rimos. Mas as reminecências estão ali; caregada nos ombros. Cada ascendente, os cheiros, seus sorrisos, manias disfarçadas. A pele, o olho, a briga, a mão. A camiseta, a covinha, a luva, a pinta. Homens e mulheres do saco. Mal sabiam os pais que o medo era outro: "Eu tenho medo de crescer" ele dizia, de ombros livres e encolhidos".
quinta-feira, 10 de março de 2011
OS SETE PECADOS CAPITAIS
LUXÚRIA
Ela ridicularizou meu pequeno JK e minhas roupas mofadas de carne em espera. Exibi os pratos de porcelana e guardanapos caros para esconder meus olhos de plástico.
Enfiei nela os quatro dedos do meu garfo. Cortei-a ao meio com a carne da minha faca, carne que prende entre os dentes, charque. Calei sua boca. Deixei escorrer para além dela, provocando seu alcoolismo.
Quebraríamos os pratos aquela noite.
*Em co autoria com colegas do curso Sete pecados
AVAREZA
Mísero Miserável
Almejava porquinho da índia
Deram-lhe um de lata
TUM... TUM.... TUM....TUM....
"Sacuda as moedas!!!" " Raspe as panelas!!!!"
Um grão de arroz, um centavo
Um punhado de conchinhas do mar
Livros mofados, as roupas que seus filhos já usaram
Tudo guardado!
Corta os excessos.
Conte as contas... "Conta!"
No casamento, conta conjunta
Todos pedacinhos dele; a cacofonia em pessoa
Entalados, enlatados, embalados à vácuo.
Sob sofás de madeira, cama e mesa
No banco, a poupança.
No banco da praça, a única lembrança:
Tio Patinhas de plástico, esquecido pela criança.
A punição pelo pecado?
Vara de marmelo, esperando-o atrás do baú da casa.
Hoje, é conhecido, como o maior economizador de lágrimas.
quinta-feira, 3 de março de 2011
EVA
Hora de parar com cafés e cigarros;
Cafés sempre amargos.
Se iludir com adoçantes e mentolados.
Quanto tempo! Quando eles passaram de mãos em dedos, boca em línguas.
Bejeio-o, despeça-se e morra.
Morre! Essa vulgar elegância.... A redundância e as travestidas do luar
Coloque então um vaso sobre a mesa, prepare um banho de banheira e me passe paz
Mostre que a vida é de cada suspiro de se aceitar o que dizem ser vivo e não do que um dia pude amar:
Eram os reis do apocalipse ou o banquete de Bacco. Nunca, o orgulho de conseguir uma foto no porta retrato:
Então coloque um sorriso no rosto, certo de estar aqui ao silenciar. Olhando tranqüilo como se a vida não precisasse ser mais do que isso. Um moicano escondido por nós na hora do banho e um beijo estalado ao se finar. Beijos sem ar, a carne exposta embalada no teu afago sem fôlego e no mais tudo simples, tudo paz.
Mas quase criando asas lá vem o chão a me despertar: São os instantes paralelos, perdidos no sonho de infância ou é a velha maçã mordiscada¿.E então o sussurro chega ao ouvido: A paz, não tem estrada.
Cafés sempre amargos.
Se iludir com adoçantes e mentolados.
Quanto tempo! Quando eles passaram de mãos em dedos, boca em línguas.
Bejeio-o, despeça-se e morra.
Morre! Essa vulgar elegância.... A redundância e as travestidas do luar
Coloque então um vaso sobre a mesa, prepare um banho de banheira e me passe paz
Mostre que a vida é de cada suspiro de se aceitar o que dizem ser vivo e não do que um dia pude amar:
Estradas sem placas, espuma branca demasiada gelada e a pintura da manhã manchada na face onde carreguei as estrelas...Aí, essa felicidade! Andando de balanço com os braços esticados como se a pudesse encostar. Talvez ela fosse o fúlgaz zumbido, perto do ouvido, dizendo baixinho. “É tão bom brincar ”.
Eram os reis do apocalipse ou o banquete de Bacco. Nunca, o orgulho de conseguir uma foto no porta retrato:
Luz de velas, livros sobre a cama, unicórnios no meu quarto onírico. Espaço para o lençol branco, a cara lavada e a mente clara.
Mas quase criando asas lá vem o chão a me despertar: São os instantes paralelos, perdidos no sonho de infância ou é a velha maçã mordiscada¿.E então o sussurro chega ao ouvido: A paz, não tem estrada.
PRESUNÇÃO DA SABEDORIA
"Veja a ignorância a ornamentar e cozinhar o nú e o cru."
"AAAAAAAAAAssexuados. De tanto pensar não cultivaram os As. "
Peido: Tabu que sofre como mensageiro.
Pegue o 08 e o 80. Divida, some, multiplique, diminua. A matemática de um coração inventado.
"Deram-se as mãos, abraçaram-se as unhas."
"Festeiros:
Dançam com Bacoo rezando por Eros
Dormem com Helena e acordam com o Cavalo."
"Cravos e pulgas;
Obras de arte da intimidade."
"A culpa pela minha fobia a aviões é por não entender o quão longe o ser humano foi. Como conseguem voar sem a liberdade dos pássaros?"
"E as coisas que deveria viver desde a adolescência agora parecem tão mofadas.Restou tempo demais naquela época, agora falta."
"Excesso de elegância pode te trasformar num bobo. Por isso Bobos da Corte nunca tiveram suas cabeças decepadas.
"Eu até ja desaprendir a lutar. Sinto os socos do meu estômago"
"A maior dor do desconfiado é não ter provas das suas certezas"
"Se a casa cair é hora de olhar as estrelas."
"Quando me apaixono eu me esqueço de fazer poses e beiços. Me esqueço de olhar no espelho. Fico distraída com as cores que eu pinto nas paredes por onde passo. Se nao há paredes pinto no chão. Quando perco o chão tento desenhar um arcoíris no céu. "
"Seu dente é translúcido, assim como sua alma. Mas é necessário um filtro, assim como para passar café. Mas como preparar café árabe usando um filtro? Não seria um café árabe, assim como não seria a si mesma."
O segredo para um casal feliz é discutir. Não "DRs" (discutir relacionamento). Papo cabeça evita umbigos simbioticos ."
"Quero que leiam nas entrelinhas. Mas estou entre,linhas."
" SINÔNIMO: Troco meu reflexo nos espelhos das aguas pela presença de Antônimo."
RESENHA
Ela tinha 0 de idade. Nem sabia ser possível sair daquele buraco negro. Buraco negro que nada! Era sua caverna encantada, com sons e luzes misteriosas, alguns tremores mas nada comparado ao momento de estado de alerta dos Aliens vestidos de verde. Suas máscaras verdes, suas luvas abduzindo-a. Ora! Ela nem saberia que um dia iria dizer: Luvas! Verde! Óvnis!
Tinha 02 anos de idade. Seus pais limpavam as paredes já não tão brancas com detergente. Ela punha as mãos no líquido escorrendo pelas paredes e levava tapas nas mãos. “Não!” Após algumas tentativas, entendeu por fim que era proibido por as mãos..Poderia então por a língua. E a lambeu, como uma bola derretida de sorvete. Delícia!
Tinha 03 anos de idade. Muitos animais com nomes estranhos, diferentes. Todos enjaulados. Porque os animais são perigosos? se perguntava. Mas as perguntas sempre ficavam dentro dela. Ela era como os animais, não falava muito. Mas caminhava bastante pois o espaço para os humanos lá era explendorosamente gigante. Nem teria tanta perna para tudo o que gostaria de explorar. Tinha mais olhos a lhe fitar e fitas nas suas tranças do que pernas e audácia. Era discreta como um cavalo marinho. Mas ironicamente preferia as girafas sem saber que um dia iria se parecer com uma delas. No fim do passeio fez a única pergunta¿ “Porque as zebras são de duas cores?". “Porque deus quis assim.”
Já fugiu de casa. Foi até a esquina e voltou. Mas em outra vez, com uma sacolinha de plastico arrastando no chão pelas ruas, pai, mãe e tia procuvam desesperados pela pequena andarilha. Quando encontrada, não muito longe de casa lhe perguntaram: "Meus deus!!!! Aonde tu ia minha filha?? Ela responde com firmeza:"Trabaiár mãe. pra comprar carni, ceveja e cachachá."
Com 04 anos ganhou o segundo lugar como princesa do desfile dos Funcionários da Brigada Militar. Mais trancinha, laços e o sorriso do papai estampado nas fotos. Mais tarde passaria no vestibular na sua segunda tentativa, no concurso na segunda tentativa e no outro concurso em segundo lugar. Sem fotos do sorriso do papai estampado nas fotos.
Tinha 05 anos agora e mal se lembra das noites que tinha que dormir na Emergência Hospitalar em que sua mãe trabalhava. Se lembra somente dos longos enormes corredores que circulava e da pastelina frita com salsicha que sua mãe recebia de lanche nas madrugadas. Tinha um colega dela que sempre cuspia na sua cota de lanches evitando assim um possível furto. Por isso a menina nunca se atreveu a pegar escondido pastelina frita além do que recebia. Uma vez encontrou uma sala fria com gavetões de metal e perguntou à mãe: “O que é isso¿” – “Aí, é o sistema de ventilação, nada demais”. Lembrando-se deste dia, se dá conta que se uma criança pergunta algo ou ela está preparada para ouvir a verdade ou já sabe da resposta. E ela tinha medo dos mortos.
Com 06 anos, escreveu seu primeiro poema.Como uma das milhares de vezes em que quebrou o braço pedia ansiosamente para a mãe: "Escreve aí mãe! escreve!
Bracinho doente,quebrou derrepente. por cima das lágrimas eu chorava chorava."
Também brincava de médica. Fingiremos ignorar a malícia por trás. Até porque não haviam pintinhos para se ver. Então apenas cita o fato de que brincava de ser chefe do hospital e que batons e guloseimas eram proibidos entrar no ambiente. Assim como era obrigatório o uso de jaleco. Anos mais tarde receberia advertência verbal de uma instituição de ensino ao ser contra o uso do uniforme branco no seu local de trabalho.
Com 07 anos cometeu seu primeiro furto. Mas se desculpou com Deus dizendo que não seria um furto mas sim uma omissão. Pagou por um picolé de fruta e pegou um de chocolate. “Omissão não é crime”.
Com 08 anos ainda estava restrita a brincar na casa de duas amigas em determinados momentos e horas que nunca conseguiria prevê-los. Dependeria de sim ou de um não, dolorosamente empreendido. Sim, não. Nãosim. Sim! Não! Com tamanhos gritos, ansiedades e brigas que vivenciava dia após dia em casa aprendeu a se jogar no chão e a gritar como se estivesse morrendo. Muitas vezes tal ato vergonhoso só gerava mais angústia, mas algumas vezes surtiam efeitos interessantes.Não podia negar o fato que era sempre prazeroso enlouquecer e assumir o controle de vez em quando. Nas vezes em que podia dormir na casa das amigas, a comida sempre era pizza ou cachorro quente. Nada de arroz e feijão. Coca cola e cheiro de cachorro salsicha. As falas eram mais mansas e haviam mais sorrisos estampados como nos comerciais de margarina. “Bem que poderia ser um filme ao invés de um comercial".
Com 09, 10, 11, 12 anos foi ficando mais desengonçada. As pernas de girafas, os braços de orangotango, as mãos de chimpanzé, os pés de elefante mas sem a cor da zebra. Não parece ter muito a se lembrar. Parece que foi abduzida novamente por um Óvni nesta época. E a ansiedade que via de fora agora vinha pra dentro dela. Quebrava copos com os dentes sem querer e ao término da aula estava com as mãos e o rosto rabiscado de caneta. Ainda tinha poucos amigos e se sentia mais pra dentro das grades do ZOO.
Com 13, 14 anos ainda parado. Ainda sem saber se um dia iria conseguir pagar os impostos, se iria caminhar por outras cidades sem se perder. Rasgava os fundilhos das calças pulando os muros da escola porque chegava sempre 15 minutos atrasada pra aula e a tia do portão não liberava a entrada. Calças Bag, semi Bags e camisetões coloridos. Nada de coisas belas, belas meninas adolescentes. Mas ela teria que ser uma, mais cedo ou mais tarde. Porque deus quis assim.
Vale citar que nesta época descobriu seus poderes paranormais a qual as pessoas chamavam de intuição. Parece simples mas nem todos a possuem. Os céticos a chamam de percepção. No grupo de amigos de infância enquanto todos escutavam Sertanejo, Ivete Sangalo em inicio de carreira ela já escutava Roxette. “Spend my time”. Yes. Então perguntaria a vocês. Quem seria o primeiro a se casar primeiro¿ Ela¿ Nop. Sua primeira dica: primeiro a casar seria a Renata, depois Junior, depois Cibele que ficava com Junior, depois Junior (após 1 divórcio que não foi com Cibele), depois Ricardo. Por último ela. Bom, o fato é que não foi convidada para nenhum desses casamentos. Até porque tudo hoje é muito amaziado.E não pegou nenhum buquê de flores. Mas descobriu que os últimos a se casarem ou os que não casarão possuem ótimo gosto musical.
Com 15 anos não teve escolha. Depois de tanto mentir foi obrigada a beijar. Não sabia o que era direito ficar então pôs a mão na bunda do menino, afinal de contas ela mentia para as amigas que "ficava direto". Na tarde do outro dia todos haviam dado a ela A Letra Escarlate.Quanta rapidez, e nem existia ainda o MSN e o orkut. Mas as vezes quando nada parece acontecer é bom levar a fama do que não se tem de fato. Muito divertido. Mas deveria ter cautela, pois no fundo ela só queria a fama. Era uma boa moça, tinha certeza. Certinha, pura, bondosa a que todos os meninos poderiam se apaixonar. O que rendeu apenas uma centenas de poesias que escreveu sobre amores não correspondidos.
16, 17, 18. Já vinham as saias, vestidos curtos, as primeiras festas. E nas festas com o maior orgulho de parecer mais velha. Nunca teve tanto orgulho em ter 30 anos de idade, com o contorno do lápis marrom desenhado por fora da boca pra parecer maior. Conhecendo um cara, já pensando se ele seria o namorado, um bom namorado, quando iria ligar, qual o signo dele. Eles combinam¿ “Que sorriso lindo, é loiro! Olhos azuis! Ele pegou minha mão na saída. Isso quer dizer isto. Isto quer dizer aquilo. Aquilo quer dizer aquele outro. Quem, como, cuma” E secretamente lia a capricho, porque nessa horas a intuição falhava. Tomava lagoa azul e pina colada e ao final um todinho porque sempre sobrava consumação. Naquela época nem se dava conta que o que queria secretamente era só o platônico. Nunca quis a realidade, só o cheiro da festa, novo e mágico.
19, 20, 21. o tempo vai passando. Uma vez lhe disseram que depois dos 18 anos a vida passa correndo. Passa tão correndo que nem se lembra de fatos isolados. Só de que teve namoros, colégios, amigos, mais amigos, festas poucas. A folha do Pá (não pode aqui citar o que seria). Não era mais gordinha e controlava os braços de orangotango. Até fez uso deles depois para a dança do ventre. As brigas e gritos ainda continuavam. E durante muito tempo rádios, televisores, computadores, celulares estragavam em suas mãos. Desastre natural, seria agora a girafa. Não raras vezes sonhava que havia ganhado um televisor ou um computador num sorteio.
Na faculdade que durou seus 5 anos, não poderia tomar os porres universitários, desfrutar das festas acadêmicas, nem sabia das transas por créditos e as roupas de desfiles bibliotecários. A faculdade custava caro . Em 05 anos de faculdade recebeu apenas uma carona após a festa de seu colega que hoje possui Dêmencia induzida pela dependência em àlcool. Ela morava longe de todos. Tinha algumas poucas grandes amigas, um grande amigo da época de cursinho pré vestibular que estudava agora no mesmo prédio e seu estojo de metal onde anotava a cola antes das provas. Era como um amuleto. Nos primeiros semestres seus colegas diziam que ela queria ser sexóloga por defender alguns direitos à livre orientação sexual. Depois procurou estágios extra curriculares para ganhar uma grana extra e ir além dos muros da faculdade. Acabou por grande parte da faculdade a estagiar o dia todo e estudar a noite.
Após a faculdade sofreu durante um ano por ser teimosa. Não queria empresas, não queria selecionar, não queria mesas, nem escolas particulares, nem controle de qualidade, nem divãs. Queria sexo, com amor. Mas não queria ser sexóloga. Com esforço conseguiu o que mais queria profissionalmente. Olhar o mundo, de vários ângulos, interagir com ele.
E ganhando dinheiro pode comer seus cachorros quentes, tomar seus porres, fazer besteiras, se arrepender depois. Pode abrir a porteira da realidade e da fantasia. Abrir e fechar. Parecia sempre encontrar a mesma coisa mas aos 25 anos algo ocorreu. Algumas algemas forma quebradas, do que ela era, do que ela queria, do que ela gostava. Nada de poemas. Ela nunca mais seria a mesma. E nunca mais fingiria ter se encontrado. Porque tudo que precisava era se perder.
Ainda quebra copos, derrama 30 litros da água na sala de equipe, pisa em cocô, cai no chão de cara. Sóbria. Briga no zoo por causa da lata de refri que jogam no jacaré. Avista os roxos talvez inflingidos pelos aliens, cai na bacia de gelo da champagne. Porres. Leva banho de cerveja por defender o tarado do pé, que fica em baixo da escada lambendo os sapatos das moças como se fossem sorvetes dee vários sabores. Assim como ela já fizera com a parede molhada de detergente.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
ALGO A MAIS
Sou a caricatura de um cara normal ansiando durante toda a semana pela libertação que as noites de sextas e sábados me propõem. Misturo-me a outros, que em haste levam a cerveja à boca, confidenciando nos goles, a esperança de encontrar o algo a mais. Escolhi o meu reduto, posicionando-me sempre abaixo da mesma escada. Já faço parte daquele local como os degraus de alumínio, o balcão do bar de concreto e a sacada no segundo andar que acredito eu; está prestes a desabar.
Por vezes, tenho a sensação pelo olhar dos transeuntes de que estou disponível para visitação. Contudo, me agrada não passar de um parágrafo. Se você não ultrapassou seu olhar, aqui jaz. E alegra-me ser um roteiro simplório, trajando uma face emudecida que apenas almeja por paz e conveniência. Minha saliva não deve ser desperdiçada. Vou direto ao ponto. Seria Ponto. Exceto por aquela garota que não calava a boca. Meu canto da discrição foi abalado por ela. Injustiçado, levei chutes no rosto através dos vãos da escada de uma sandália roxa que deixava aparentar as rugas do calcanhar esbranquiçado. Não satisfeita, a garota, toda ela, foi tirar satisfação: “Quem você pensa que é! Seu tarado!”
Imaginava ela, que eu estaria a contemplar sua calcinha, feito um adolescente nas escadarias de uma escola de freiras. Tentei usar minhas poucas palavras para desfazer o mal entendido e explicar-lhe minhas intenções: Beber minha cerveja e algo a mais. A loira me fitou como se contemplasse uma estátua de gesso de Michael Jackson. Interessadíssima, resolveu sentar-se no sofá velho localizado ao lado dos degraus para descobrir mais sobre mim. Observei-a da cabeça aos pés. Ao final pensei: “Muito bonita, mas... Não, não faz o meu tipo.”
Mesmo assim, seu papo era tão agradável. Uma taquilálica permitiria a conservação do meu silêncio. Em troca, dava-lhe meu mais sincero sorriso e enchia seu copo de cerveja. Tal situação inusitada envolveu-me a tal ponto de que, pela primeira vez na vida, aceitei o convite para dançar no meio da pista. Fui envolvido; fechei os olhos confessando o contentamento com o Cha Cha Cha, movendo os cotovelos dobrados de um lado para o outro, de um lado para outro. Imagino que seja dessa forma que um homem deva dançar. Enquanto isso, sem que soubesse, a loira trajava o sorriso de Monalisa. Nos cantos da festa; os fiéis seguranças, com a seriedade das testas franzidas, transmutavam-se em homens alegres e surpresos ao contemplarem minha mudança de rotina.
Mas como afirmei no meu parágrafo, toda essa minha incontinência de vocábulos, não passa de uma exceção, de um eclipse não anunciado pelos meios de comunicação. Um eclipse dura o tempo suficiente para eu abrir os meus olhos e buscar aliviar a claustrofobia pelo inusitado com outra cerveja. Retornei ao meu reduto, enquanto a atraente e bela garota, me sussurrava ao pé do ouvido palavras como: buceta, seios, bunda. Ela insistiu mais um pouco: buceta, seios, bunda, buceta, seios, bunda. – “È a melhor coisa que existe para um homem não acha?” Não satisfeita, a loira se pôs a descrever as partes íntimas, como se estivesse tentando vender um carro com Air Bag, total flex, direção hidráulica, 2.0.
Comecei então, a entender mais sobre o sorriso de Monalisa. Imagino que em sua época já existira mulheres perniciosas buscando moldar os homens ao seu bel prazer. Meu sorriso foi diminuindo ao reconhecer suas intenções. Mas o mais frustrante foi quando aquela se pôs a brincar na escada e recebeu em troca um banho de cerveja que vinha do segundo andar por outra Monalisa qualquer:
- Você está me atrapalhando! Não percebe que você pode me prejudicar?
Estas foram minhas últimas palavras dirigidas a gata escaldada. Espero que os homens me entendam agora, principalmente na capacidade que as mulheres têm para deixar um cara tão inerte como eu, indignado tanto quanto um cataclisma. Mas fui contido pela visão... Inesperadamente. Em passos lentos e suaves, a amiga da taquilática vinha em nossa direção. Observei-a dos pés a cabeça e no final me dei por conta: “Estou apaixonado.”
Fomos os três, convidados a se retirar para fora da festa, pois não havia alternativa que não fosse varrer o chão, pois agora o sol já estava a pino no seu devido lugar. Não me restava tempo. Fiz a proposta ajoelhando-me, na menção honrosa à menina de botinhas pretas carcomidas pelo tempo e pela vida andarilha.
A outra gritava à amiga: – Não faça isso, você está vendendo seu corpo! Isso é coisa de prostituta!!!
Sim meus caros, paixão nem sempre dignifica um homem e a obsessão te faz jogar sujo. Paguei os dez reais combinados à menina das botinhas. Com toda saciedade e desejo que um homem tem pelo algo a mais, usei a minha saliva poupada pelo silêncio, direcionando-a do inicio ao fim na sola fina daquelas lindas botinhas pretas, imaginando a nudez escondida por dentro delas. Unhas, plantas, dedos. A amiga de calcanhar rachado finalmente desistiu, solavocando os pés de galinha de macumba para longe dali. Enquanto isso estava absorto pelo desejo e faria o mesmo com a botinha esquerda. Pés, pés, pés, pés.
Vou terminando por aqui, reiterando de que eu sou apenas mais um cara normal, segurando sua cerveja e esperando por algo a mais. Talvez a única diferença entre eu e os demais, seja de que, as mais de duas mil fôrmas de sapatos, sandálias e scarpins já beijados por mim pelo vão da escada, revelem o reverenciamento e respeito que poucos homens dispensam às mulheres. Beijo e lambo solas e dedões como faria um cristão sob o altar de uma santa milagrosa.
Por vezes, tenho a sensação pelo olhar dos transeuntes de que estou disponível para visitação. Contudo, me agrada não passar de um parágrafo. Se você não ultrapassou seu olhar, aqui jaz. E alegra-me ser um roteiro simplório, trajando uma face emudecida que apenas almeja por paz e conveniência. Minha saliva não deve ser desperdiçada. Vou direto ao ponto. Seria Ponto. Exceto por aquela garota que não calava a boca. Meu canto da discrição foi abalado por ela. Injustiçado, levei chutes no rosto através dos vãos da escada de uma sandália roxa que deixava aparentar as rugas do calcanhar esbranquiçado. Não satisfeita, a garota, toda ela, foi tirar satisfação: “Quem você pensa que é! Seu tarado!”
Imaginava ela, que eu estaria a contemplar sua calcinha, feito um adolescente nas escadarias de uma escola de freiras. Tentei usar minhas poucas palavras para desfazer o mal entendido e explicar-lhe minhas intenções: Beber minha cerveja e algo a mais. A loira me fitou como se contemplasse uma estátua de gesso de Michael Jackson. Interessadíssima, resolveu sentar-se no sofá velho localizado ao lado dos degraus para descobrir mais sobre mim. Observei-a da cabeça aos pés. Ao final pensei: “Muito bonita, mas... Não, não faz o meu tipo.”
Mesmo assim, seu papo era tão agradável. Uma taquilálica permitiria a conservação do meu silêncio. Em troca, dava-lhe meu mais sincero sorriso e enchia seu copo de cerveja. Tal situação inusitada envolveu-me a tal ponto de que, pela primeira vez na vida, aceitei o convite para dançar no meio da pista. Fui envolvido; fechei os olhos confessando o contentamento com o Cha Cha Cha, movendo os cotovelos dobrados de um lado para o outro, de um lado para outro. Imagino que seja dessa forma que um homem deva dançar. Enquanto isso, sem que soubesse, a loira trajava o sorriso de Monalisa. Nos cantos da festa; os fiéis seguranças, com a seriedade das testas franzidas, transmutavam-se em homens alegres e surpresos ao contemplarem minha mudança de rotina.
Mas como afirmei no meu parágrafo, toda essa minha incontinência de vocábulos, não passa de uma exceção, de um eclipse não anunciado pelos meios de comunicação. Um eclipse dura o tempo suficiente para eu abrir os meus olhos e buscar aliviar a claustrofobia pelo inusitado com outra cerveja. Retornei ao meu reduto, enquanto a atraente e bela garota, me sussurrava ao pé do ouvido palavras como: buceta, seios, bunda. Ela insistiu mais um pouco: buceta, seios, bunda, buceta, seios, bunda. – “È a melhor coisa que existe para um homem não acha?” Não satisfeita, a loira se pôs a descrever as partes íntimas, como se estivesse tentando vender um carro com Air Bag, total flex, direção hidráulica, 2.0.
Comecei então, a entender mais sobre o sorriso de Monalisa. Imagino que em sua época já existira mulheres perniciosas buscando moldar os homens ao seu bel prazer. Meu sorriso foi diminuindo ao reconhecer suas intenções. Mas o mais frustrante foi quando aquela se pôs a brincar na escada e recebeu em troca um banho de cerveja que vinha do segundo andar por outra Monalisa qualquer:
- Você está me atrapalhando! Não percebe que você pode me prejudicar?
Estas foram minhas últimas palavras dirigidas a gata escaldada. Espero que os homens me entendam agora, principalmente na capacidade que as mulheres têm para deixar um cara tão inerte como eu, indignado tanto quanto um cataclisma. Mas fui contido pela visão... Inesperadamente. Em passos lentos e suaves, a amiga da taquilática vinha em nossa direção. Observei-a dos pés a cabeça e no final me dei por conta: “Estou apaixonado.”
Fomos os três, convidados a se retirar para fora da festa, pois não havia alternativa que não fosse varrer o chão, pois agora o sol já estava a pino no seu devido lugar. Não me restava tempo. Fiz a proposta ajoelhando-me, na menção honrosa à menina de botinhas pretas carcomidas pelo tempo e pela vida andarilha.
A outra gritava à amiga: – Não faça isso, você está vendendo seu corpo! Isso é coisa de prostituta!!!
Sim meus caros, paixão nem sempre dignifica um homem e a obsessão te faz jogar sujo. Paguei os dez reais combinados à menina das botinhas. Com toda saciedade e desejo que um homem tem pelo algo a mais, usei a minha saliva poupada pelo silêncio, direcionando-a do inicio ao fim na sola fina daquelas lindas botinhas pretas, imaginando a nudez escondida por dentro delas. Unhas, plantas, dedos. A amiga de calcanhar rachado finalmente desistiu, solavocando os pés de galinha de macumba para longe dali. Enquanto isso estava absorto pelo desejo e faria o mesmo com a botinha esquerda. Pés, pés, pés, pés.
Vou terminando por aqui, reiterando de que eu sou apenas mais um cara normal, segurando sua cerveja e esperando por algo a mais. Talvez a única diferença entre eu e os demais, seja de que, as mais de duas mil fôrmas de sapatos, sandálias e scarpins já beijados por mim pelo vão da escada, revelem o reverenciamento e respeito que poucos homens dispensam às mulheres. Beijo e lambo solas e dedões como faria um cristão sob o altar de uma santa milagrosa.
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