Tenho falado bastante sobre Hitler nas minhas férias, aliás tenho escutado bastante sobre ele. Uma das frases que uma amiga minha fez questão de salientar é que este homem fez o que fez após ser um músico frustrado. Um meia boca mas com o dom da perspicácia, da oratória. Aquele que mais fala do que escuta notas sonoras. Um músico frustrado; essa frase ressoou aos meus ouvidos como uma tragédia pelo menos sob meu prisma. E se ele não tivesse desistido¿ E se ele tivesse tentado apesar de todas críticas¿ E se ele aceitasse apenas ser um musico mais ou menos, se contentasse com uma vida pacata e sem grandes conquistas. Mas que esse homem pudesse tocar com a alma, não os corações em massa ao seu bel prazer, mas o seu próprio âmago, o seu próprio mundo; pra dentro. Ele seria feliz assim¿ Talvez não fosse feliz de jeito nenhum. E eu fico pensando nas meias bocas, porque eu nunca estou satisfeita. Penso nas meias calças que escondem as veias e as feridas das caídas alcoolizantes ou distraídas. Penso no meio copo cheio e no meio copo vazio, mas é sempre metade nunca completo. Não me sinto uma grande psicóloga, nem uma ótima filha, nem uma amiga exemplar. Meu QI não passa de 80 e não sei quase nada sobre livros e história, apesar de ainda assim saber mais de filmes comparado a tantas outras pessoas que vão no cinema mais do que eu. Eu sou a música frustrada, amo as músicas frustantes e nostálgicas, apesar de ser muito mais feliz hoje em dia. Sempre gosto das músicas de amor tristes e melancólicas, mas nem por isso vivo uma paixão infeliz. Eu vejo beleza em lágrimas e penso em parar a chuva pra ir pra rua. Mas talvez eu nunca seja espetacular, grandiosa. Um profissional reconhecida, uma mulher menos egoísta. Talvez não há muito a se escrever no jazigo e nem se sabe quem estará lá. Por isso escrevo jazigos em vida matando e morrendo e querendo nascer de mil fragmentos.
Quero ser fotografa
Quero ser atriz
Quero ser pintora
Quero trabalhar com moda
Quero dirigir um filme e escrever um livro
Quero ir pra Europa
Quero fazer as pazes com meus pais
Quero que as minhas amigas atuais sejam as de 10 anos depois.
Quero continuar me sentindo feia em alguns momentos pra poder me achar linda depois.
Queria continuar fumando e morrer por qualquer causa menos pelo fumo.
Quero dormir bastante pra enxergar melhor os detalhes mas dormir pode ser perda de tempo pra quem quer ver de tudo um pouco.
Não quero ser mãe, não quero casar pelo simples fato de que todos fazem isso.
Quero achar um grande amor que faça eu mudar de idéia sobre a idéia anterior sem que me sinta menos eu.
Essas foram minhas férias, com meus fragmentos atirados no chão formando um caleidoscópio. Pouco tempo pra olhar o que ninguém quer ver. Caleidoscópios são vistos como perda de tempo, brincadeira de criança, imagens iguais posicionadas do lado inverso.